Marxismo

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Marxismo é uma corrente teórico-política que é expressão do movimento revolucionário do proletariado e teve como fundador Karl Marx.

O marxismo surgiu no século 19 através da produção teórica de Karl Marx e Friedrich Engels, sendo uma teoria que expressa a perspectiva do proletariado. Sendo uma teoria, é um pensamento complexo e estruturado que busca compreender a realidade social, tal como a história da humanidade, as formas de consciência, as transformações históricas, as lutas de classes, o capitalismo, o proletariado, a possibilidade da revolução proletária e emancipação humana. Nesse sentido, Karl Marx elaborou uma teoria da história, chamada materialismo histórico, inseparável da dialética materialista, uma teoria do capitalismo e esboçou uma teoria da revolução proletária, entre diversas outras contribuições para pensar a sociedade capitalista e a tendência para o surgimento do comunismo. Friedrich Engels não tinha o mesmo rigor e complexidade que Marx, sendo que colaborou com este em algumas obras e produziu obras independentes que estavam de acordo com a teoria marxista e outras em desacordo com ela, especialmente após a morte de Marx. As obras de Marx e algumas das obras de Engels constituem o que foi denominadomarxismo original

No final da vida de Marx, emerge o termo marxismo, elaborado por seu rival na Associação Internacional dos Trabalhadores, Mikhail Bakunin, com sentido pejorativo e para se referir aos apoiadores do teórico alemão, especialmente os alemães que em breve fariam nascer a socialdemocracia. A socialdemocracia emerge com a formação do Partido Socialdemocrata Alemão, que nasce através da fusão de lassalistas e "marxistas" (na verdade, pseudomarxistas), que receberiam críticas de Marx e Engels,apesar da colaboração inicial estabelecida entre os dois pensadores alemães e o partido recém criado. Após a morte de Marx, a socialdemocracia, bem como Engels, se afastam cada vez mais da perspectiva do proletariado (e, por conseguinte, do pensamento de Marx), se tornando um pseudomarxismo. O surgimento de diversos partidos socialdemocratas no mundo, especialmente na Europa, gerou uma versão deformada de marxismo que se passava como marxismo ortodoxo, cujo primeiro grande ideólogo foi Karl Kautsky.

Na Rússia, emerge, através principalmente da obra de Lênin, a socialdemocracia russa que terá peculiaridades nacionais e será conhecida como bolchevismo. Essa é uma nova forma de doformação do marxismo, que, além da peculiaridade nacional que lhe trazia um diferencial pequeno em relação aos demais partidos socialdemocratas, se destaca pelo vanguarismo e concepção insurrecionalista em contraposição ao reformismo da socialdemocracia em geral. Apóa a vitória da Revolução Russa há um processo de criação de um novo marxismo ortodoxo, cujo grande ideólogo é Lênin, sendo acompanhado, dependendo da tendência, por Leon Trotsky e Joseph Stálin.

Outras formas de deformação do marxismo foram produzidas desde a morte de Marx, criando um conjunto enorme de ideologias (e não mais teorias) e servindo para justificar e legitimar as práticas eleitorais e reformistas da socialdemocracia e vanguardistas e insurrecionalistas dos bolchevistas, apesar de que, concretamente, em muitos momentos a diferença entre um e outro é meramente discursiva, já que os últimos acabam, em muitos casos, reproduzindo as práticas dos primeiros.

O pensamento de Marx é recuperado parcialmente por alguns pensadores e militantes, os dissidentes da socialdemocracia, desde o Grupo dos Jovens no final do século 19, passando pelo socialismo radical, tal como o tribunismo na Holanda e Espartaquismo na Alemanha, e indivíduos como Antonio Labriola e Jan Wanclaw Makhaïsky, entre outros. O Espartaquismo é a mais famosa expressão dessa época e, apesar dos seus vínculos com a socialdemocracia, através das obras e práticas de Rosa Luxemburgo e Karl Liebneckt realizaram críticas ao burocratismo e outros problemas do pseudomarxismo, tanto a socialdemocracia quanto o bolchevismo. Makhaïsky é o crítico mais radical das deformações do marxismo nessa época e acaba contriuindo para entender a emergência da intelligentsia, uma nova classe social que tentar dominar o movimento operário.

É somente com a radicalização das lutas de classes e processo de tentativas de revoluções proletárias na década de 1910 e iníco de 1920 (Rússia, Alemanha, Hungria, Itália) que ressurgirá o marxismo, através do chamado comunismo de conselhos, bem como do Grupo Operário, de Miasnikov, na Rússia, Esquerda extraparlamentar inglesa de Sylvia Pankhurst, entre outros. A derrota do movimento operário nessa época fez novamente o marxismo autêntico ser transformado em tendência marginal em favor da nova "ortodoxia" do marxismo-leninismo, o bolchevismo, bem como da socialdemocracia.

No final dos anos 1960, com a reemergência do movimento operário, bem como ascensão de determinados movimentos sociais radicais, especialmente o movimento estudantil, que culmina com a Rebelião Estudantil de Maio de 1968 em Paris, é que os marxistas autênticos são parcialmente recuperados e novas teorias, grupos e indivíduos marxistas reaparece.

O marxismo contemporâneo vem ampliando tanto em quantidade quanto em qualidade, como resultado do processo de decomposição do modo de produção capitalista e acirramentos dos conflitos sociais, gerando novas teorias, coletivos, ações.

Índice

Conceitos fundamentais do marxismo original

Principais teóricos marxistas

Veja também

Fonte

  • KORSCH, Karl. Marxismo e Filosofia. Porto: Afrontamento, 1977.
  • VIANA, Nildo. O que é o Marxismo? Rio de Janeiro: Elo, 2008.

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