Sociedade Capitalista

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Sociedade capitalista é um termo que remete ao conjunto das relações sociais na atual sociedade, que se caracteriza pelo domínio do modo de produção capitalista e de formas sociais igualmente capitalistas.

A palavra capitalismo pode ser compreendida como o conjunto das relações sociais que caracterizam a sociedade moderna, ou seja, como sociedade capitalista. No modo de produção capitalista, as duas classes sociais fundamentais são constituídas (burguesia e proletariado) e nas demais relações sociais, nos modos de produção subordinados, formas sociais de reprodução do capitalismo, temos outras classes sociais. Para compreender a sociedade moderna, é fundamental comprrender o modo de produção capitalista.

A sociedade capitalista é constituída pelo modo de produção capitalista, pelas relações de distribuição (parte do modo de produção, mas que, no capitalismo, ocorre no espaço da circulação das mercadorias) pelos modos de produção subordinados e pelas formas sociais de regularização das relações sociais (Estado, cultura, direito, instituições, etc.). Os modos de produção subordinados são formas não-capitalistas de produção, como o modo de produção camponês, artesão, cooperativo, etc. Eles constituem outras classes sociais, como a do camponeses, artesãos, cooperados. As formas sociais (também chamadas de “superestrutura”) já não são formas de produção material e sim relações de reprodução, no plano do Estado, cultura (em suas múltiplas manifestações), direito, instituições, etc. e constituem novas classes sociais, como burocratas, intelectuais, subalternos, entre outros. Além disso, existem aqueles que estão na margem da divisão social do trabalho, como os desempregados, subempregados, mendigos, etc. formando a classe lumpemproletária.

O modo de produção capitalista transforma todos os bens materiais em mercadorias e mercantiliza toda a sociedade. Tudo para a ser comprado e vendido, incluindo a cultura, a política, a tecnologia, o direito, etc. Da mesma forma, tudo é burocratizado e passa a ser dirigido por uma classe burocrática. Isso cria um mundo competitivo, onde quase todos querem poder e riqueza. Assim, a sociedade capitalista é constituída por uma ampla divisão social do trabalho (esses modos de produção, formas sociais, são expressões de tal divisão). Cada instância de atividade especializada e fixa da sociedade estabelecida pela divisão social do trabalho visa reproduzir o as relações de produção capitalistas. O aparato estatal e todas as burocracias visam manter o controle social, sendo que o direito e os regimentos compõem outra instância que objetiva, ao lado da produção cultural em geral, a legitimação, justificação e conquista de adesão para a sociedade capitalista, através de ideologias, valores, leis, arte, etc.

Esse processo é perpassado pelo modo de produção capitalista, através da mercantilização, burocratização e competição social, sendo que, como no capitalismo tudo é mercantilizado, tais instâncias necessitam de dinheiro para existir e agir. Assim, em tais formas sociais, se constituem classes sociais assalariadas improdutivas. A renda dessas classes improdutivas é oriunda, principalmente, do mais-valor global. A produção do mais-valor ocorre nas unidades de produção (fábricas, minas, empresas agrícolas, construção civil), mas sua realização ocorre no mercado, ou seja, nas relações de distribuição capitalistas. Ou seja, somente quando a mercadoria é vendida no mercado é que o mais-valor se realiza, é quando o capitalista se apropria, efetivamente, do mais-valor.

O Estado drena parte do mais-valor global e a utiliza para sua própria reprodução (os gastos estatais com sua imensa burocracia, suas instituições) e reprodução do capitalismo (políticas estatais, infraestrutura, etc.), contratando um conjunto enorme de pessoas (burocratas, intelectuais, subalternos, etc.) e através do controle social, produção cultural e repressão, objetivando a reprodução do capitalismo e o impedimento da transformação social. O Estado visa impedir crises financeiras, queda da taxa de lucro e outros elementos prejudiciais ao desenvolvimento capitalista.

A sociedade civil é submetida à hegemonia burguesa. A fonte dessa hegemonia está no poder financeiro da burguesia, no aparato estatal, e nas duas classes auxiliares da burguesia: a burocracia (voltada para o controle social) e a intelectualidade (voltada para a produção cultural). Nesse sentido, as ideias dominantes são as ideias da classe dominante. Uma sociabilidade capitalista comandada pela burocratização, mercantilização e competição social passa a dominar e, ao lado da hegemonia burguesa, promove a existência de uma mentalidade burguesa, que introjeta tal sociabilidade e a reproduz e reforça.

Em síntese, é possível dizer que as formas sociais (“superestrutura”) derivadas do modo de produção capitalista, são relações de reprodução deste, criando as condições para a manutenção da dominação burguesa no processo de produção e continuidade da extração de mais-valor, da exploração. No entanto, não existe apenas dominação e reprodução, existe resistência e luta e por isso é necessário analisar também a luta de classes, a luta operária, as formas de resistência e demais lutas sociais, que expressam as contradições dessa sociedade.

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